6 de mar. de 2013

Genocídio e Espetáculo



Genocídio e Espetáculo
A Realidade Atual
x

Algumas palavras sobre os processos vividos no Rio de Janeiro dentro de uma perspectiva anarquista

O seguinte texto surge de uma reflexão coletiva realizada entre indivíduxs que circulavam na okupação anarquista Flor do Asfalto, que se situa no olho do furacão dos projetos de reurbanização e consequente endurecimento da repressão no Rio de Janeiro. A presente reflexão pretende contribuir, partindo de uma ótica anarquista, para o esclarecimento quanto aos processos de criminalização da pobreza e violência estatal declarada contra os movimentos de resistência rebelados frente a tais projetos. Motivou muito a elaboração desse ensaio o seu poder de acrescentar mais elementos aos debates que já fervem no Rio de Janeiro e outras cidades, para que pessoas que não tiveram a oportunidade de vivenciar em suas próprias peles esta realidade tão particular possam, enfim, respirar um pouco desses ares. Essa iniciativa surge, também, com a intenção de contribuir para a guerra social, já que as estratégias do poder hierárquico já há séculos se reproduzem e se repetem em diferentes regiões e distintas épocas. Afinal, acreditamos que o que hoje se vivencia aqui pode ser nada mais que um estágio avançado dos próprios sintomas das grandes cidades, pelo menos no que diz respeito ao território controlado pelo Estado brasileiro.

Rio de Janeiro, futura sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, emblemática metrópole erguida através de um paradisíaco e admirável ecossistema(1). Aqui é onde, em cada mínima fração de seus bairros e ruas, fazem-se evidentes os contrastes próprios do reino mercantil: espalhada por várias zonas da cidade, a pobreza gritante, a decadência profunda, o abandono administrativo em estado cru; em contrapartida, em outras regiões, o luxo higiênico faz a roupagem do cenário simulado e superficial de uma vida consumista e cômoda, constantemente vigiada por câmeras e policiamento ostensivo. Esse chão de tantas histórias, de tantas tramas conhecidas como parte de uma dita “história geral do Brasil”, é o palco onde também se produzem extremismos de caráter urbano que só neste lugar podem ser vivenciados, pelo menos na proporção em que se manifestam.

Segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – medida comparativa internacional para classificar o “desenvolvimento” econômico em âmbito territorial – na cidade do Rio convivem IDH`s de alguns dos bairros mais ricos do mundo, equivalente ao dos países mais acomodados da Europa, enquanto várias favelas têm o IDH equivalente ao de alguns dos países mais pobres do continente africano. A raiz disso pode ser encontrada no fato de sempre ter sido uma cidade onde coexistiram a extrema riqueza e a extrema pobreza, tendo sido um dos maiores portos de seres humanos sequestrados da África e vendidos como escravos. Além disso, durante 12 anos foi a capital do império português e, posteriormente à “independência”, foi a capital do Brasil até meados do século XX. Se antes os contrastes envolviam os palácios da nobreza e as senzalas e demais redutos negros, hoje ela se manifesta entre os opulentos bairros ricos – dignos de uma Beverly Hills – e as inumeráveis favelas.

A questão racial está inerentemente ligada à história do Rio de Janeiro. Se hoje existe uma política de barbárie assediando esta cidade, seguramente é por ela ser herdeira direta do regime escravista. Esse dado remonta ao momento da formação de um poder público autônomo e da própria constituição do Estado brasileiro. Com a chegada da família real portuguesa em 1808, a polícia carioca foi criada para edificar uma ordem pública que buscava enfrentar a população escravizada na rua, aterrorizando as pessoas negras e pobres com castigos físicos em público e eliminação física, além de combater a resistência que acontecia de diferentes maneiras, políticas e culturais, organizadas ou não. Desde as fugas rebeldes e consequentes formações de quilombos(2),  a capoeira, luta surgida na rua e ferramenta inseparável dxs negrxs revoltadxs, até revoltas organizadas que ocorreram ao longo de todo este período. A favela é filha e neta dessas resistências, berço de belíssimas manifestações culturais afro-descendentes, reduto de gente que nunca separou a luta do sorriso.

A origem das favelas no Rio de Janeiro remete a meados do século XIX, quando com o fim da escravidão uma parte das pessoas libertas se deslocou para a capital federal se fixando informalmente em lugares que passaram a ser denominados Favelas. O primeiro desses lugares a ser chamado de favela foi o Morro da Providência, localizado próximo à zona portuária, no centro do Rio, ocupado em 1897 por soldados negros do exército brasileiro, que  voltavam da Guerra de Canudos e haviam deixado de receber o soldo; sem condições financeiras, passaram a habitar o morro em barracos provisórios. O termo favela remonta ao arraial de Canudos, que estava situado na Bahia e havia sido construído num morro que tinha muitas plantas de uma espécie conhecida popularmente por Favela ou Faveleiro. Esta planta foi também encontrada no Morro da Providência e fez com que o mesmo inicialmente fosse denominado Morro da Favela. Com o tempo, o termo passou a ser usado para designar lugares de habitações populares. A favela, dentro da ótica urbana, é herdeira das senzalas, surge como um dos maiores expoentes do agudo segregacionismo, do isolamento, o refugo humano dentro de um regime que havia substituído o trabalho escravo pela escravidão assalariada, já que os tempos eram outros e exigiam novas formas de exploração.

Em contrapartida a favela é expoente da resistência cultural negra que seguiu se desenvolvendo, ambiente de manifestações culturais como o samba, a capoeira e as religiosidades afro-descendentes (como o candomblé e a umbanda), além de ser o hábitat natural da genuína malandragem. Portanto, o policial carioca é o capitão-do-mato moderno, que apenas substituiu o chicote pelo fuzil. Se antes a desvalorização da vida se traduzia na imagem dx negrx escravizadx, hoje passa a ser refletida na figura dx faveladx.


O que se vivencia atualmente é uma guerra civil, num nível de conflito urbano armado inexistente na América Latina, camuflada como “guerra contra o narcotráfico”. As favelas estão sempre controladas pelos traficantes ou pelas milícias(3), e  mais atualmente pela polícia, que se utilizam de um arsenal de guerra para defender seu território. As balas do dia-a-dia são como arroz-com-feijão.

Seguramente a produção econômica na cidade gira em torno do turismo, sem dúvidas o Rio é uma das cidades mais turísticas do mundo. A “cidade maravilhosa” é feita de maravilhas para qualquer pessoa que usufrua de condições econômicas para consumi-las, a espetaculização e a maquiagem se fazem necessárias  para manter o ambiente da cidade confortável a essas pessoas. Esse quadro faz desencadear uma constante e cada vez mais acentuada criminalização da pobreza, que ocorre por diferentes frentes e por diferentes âmbitos no presente contexto, travestida como reformas urbanas e melhorias da qualidade de vida da população. Mas, efetivamente, são o encaminhamento de megalomaníacos projetos econômicos levados a cabo numa série de parcerias público-privada.

A realidade social do Rio de Janeiro torna cada vez mais explícita a linha tênue entre diferentes estratégias da gestão estatal, entre a ditadura e a democracia. Afinal, a tortura, a eliminação física e o encarceramento (que ganharam visibilidade no período da ditadura militar por atingirem setores da classe média), para x negrx, pobre e faveladx, sempre foram uma realidade. Num período de tão aclamada democracia são fatos que se tornam cada vez mais e mais presente. A partir das novas gestões do governo do estado (nas mãos de Sérgio Cabral Filho desde 2006) e da prefeitura da cidade (nas mãos de Eduardo Paes desde 2009), distintas táticas têm sido utilizadas, iniciativas que surgem por diferentes lados: 1) o combate ao trabalho de rua informal, que diante de tal realidade se torna uma das principais alternativas de sobrevivência as/aos que não têm dinheiro; 2) a retomada do controle de zonas antes controladas pelo narcotráfico; 3) os projetos de obras urbanas, como a revitalização da zona portuária; 4) a avassaladora presença de drogas como o crack, e mais recentemente o OXI, que reforçam o controle populacional. Somando-se a todos estes elementos está o próprio extermínio de civis pelas mãos da polícia, justificado como baixas de guerra em meio a uma suposta guerra contra o tráfico, muitas vezes se utilizando dos chamados Autos de Resistência(4) para camuflar execuções sumárias. O que existe na prática é um genocídio silencioso, que além de atingir os supostos grupos visados, que seriam as facções do narcotráfico, atinge, sobretudo, toda a camada de pessoas que se encontra no meio da zona de conflito. As cifras de mortes em mãos de forças policiais no Rio de Janeiro são altíssimas, como as dos três últimos anos. Em 2008, foram 611 mortes; em 2009 foram 495; e em 2010 foram 545 – números que se aproximam à quantidade de pessoas mortas nas chuvas que atingiram a serra do Estado do Rio, em janeiro deste ano, considerada a “maior catástrofe natural” da história do Brasil.

Com cânticos sinistros de louvação à guerra, entoados em seus treinamentos, o BOPE (Batalhão de Operações Especiais) não deixa dúvidas quanto à sua tarefa: “homem de preto/ qual é a sua missão?/ é invadir a favela/ deixar corpo no chão”; ou ainda: “vou me infiltrar numa favela/ com fuzil na mão/ vou combater o inimigo/ provocar destruição”. O BOPE foi concebido e adestrado para ser uma máquina de guerra e exterminar faveladxs. O fato de seu símbolo ser uma caveira não é meramente simbólico.

Um dos projetos pilotos do atual governo do estado, inserido na lógica de reestruturação e maquiamento da cidade, são as maquiavélicas UPP’s (Unidades de Polícia Pacificadora). Estas são unidades da polícia que através da invasão permanente estão retomando o controle das comunidades que antes estavam sob o controle do tráfico.

Coincidentemente ou não, todas estas comunidades são favelas em zonas de elevado interesse econômico como a zona sul e as áreas nobres da zona norte, além das demais zonas de interesses turístico/econômicos(5). As UPP’s surgem como o ápice da “guerra” ao narcotráfico, demarcam um momento em que o Estado finalmente estaria dando uma resposta mais efetiva e enérgica ao tráfico. A presença permanente da polícia na comunidade permite que a mesma aja com completa impunidade (uma espécie de estado de exceção não declarado), atuando descaradamente por meio da inconstitucionalidade, invadindo constantemente domicílios e aterrorizando moradorxs. A ironia é que em nenhuma comunidade onde atualmente existem UPP’s acabou-se efetivamente o tráfico: muito pelo contrário, mantém seu comércio vivo e atuante, embora ostente menos armas, agregue maior suborno para os policiais, sem tiroteios porém seguindo como sempre.

As UPP’s estão profundamente relacionadas com o processo de higienização sócio-econômica que está em andamento por toda a capital carioca, atuam como precursoras de um inovador processo de gentrificação(6) de áreas favelizadas. Após a sua intervenção, são cortadas as instalações clandestinas de energia elétrica e água, causando, desde o início, um aumento drástico do custo de vida nesses locais e a consequente evasão indireta da população pobre que antes habitava a área – uma espécie de despejo por etapas.

Na zona sul, barracos já são vendidos e alugados a preços altíssimos, ao mesmo tempo que processos de saneamento básico começam a ser efetivados onde antes não existiam. Mas a quem são destinadas essas “melhorias”? Logicamente, às novas pousadas (ou outras variações de negócios privados) e aos novos frequentadores do lugar: turistas e indivíduos da classe média.

Essas operações de chacina em massa, organizadas pelo Estado e suas parcerias privadas, só são inteiramente possíveis após a inserção nas comunidades do braço esquerdo dessas intervenções: as ONG’s. Incluídas no processo de contenção de danos, fica a cargo das instituições não governamentais a infiltração nas favelas com projetos de fundo de desenvolvimento social. A presença dessas organizações nas comunidades é, por sua vez, marcada por ambiguidades. Enquanto essas instituições “propiciam” desenvolvimento sócio-cultural localmente, está no pano de fundo de sua inserção seu caráter desde o princípio apaziguador, os lucros possibilitados pelas isenções fiscais e pelos investimentos transnacionais que muitas vezes compõem sua sustentabilidade, além de sua atuação no mapeamento e cadastro de moradores, induzindo-os também a assumirem o papel de delatores da comunidade. Há casos similares envolvendo os mais recentes programas sociais do governo federal junto às áreas urbanas consideradas como “áreas de risco” (que têm como piloto o programa Fica Vivo).

É nesse cenário geral de retaliações e invasão marcadamente militar que se insere o Choque de Ordem, iniciativa criada no início de 2009 pelo atual prefeito Eduardo Paes, organizada pela Secretaria de Segurança Pública, reunindo diferentes órgãos como a guarda municipal, polícias civil e militar, a Comlurb, a Secretaria de Habitação num conjunto de ações que visam a “restituir a ordem na cidade”. Focando-se sobretudo no combate aos/as camelôs, na remoção de moradorxs de rua, entre usuárixs e não usuárixs de crack, e nos inumeráveis despejos de moradias consideradas ilegais ou irregulares, como é o caso das ocupações urbanas e de favelas ou partes de favelas que estão sendo removidas por estarem situadas  no caminho dessas reformas.

5 de mar. de 2013

O Dia Que o Morro Descer e Não For Carnaval....


O dia em que o morro descer e não for carnaval
(Wilson das Neves / Paulo César Pinheiro)

O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)

No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for  carnaval.

25 de jan. de 2013

Saber De Mim



Pra que saber meu nome  sobrenome saber do meu passado

 Sou igual a tantas
Sou uma e todas
Sou qualquer uma uma qualquer do povo
Já amei fui amada
Algumas vezes bati
Outras  levei porrada
Pra que saber de onde vim pra onde vou
Pra que saber do que gosto ou não gosto
Hoje eu gosto quero amanhã ...
Não faço planos hoje são vinte e quatro horas
Por isso  pobre não contei grana muito menos vantagens
Pra que saber de minhas dores de amores que foram
Amores que são
Pra que saber tanto se seguimos estranhos,tanta ciência em vão
Pra  que saber meu santo,minha crença  descrença
Pra que saber ,se nem eu sei mais de mim
Não me pergunte nada
Esta sou eu mesmo que desagrade
Cale não me pergunte nada
Apenas fique
Ao meu lado

                     Hanna

13 de jan. de 2013

Desalento-Miolo Da Alma

Sentada na esquina do pensamento
Deixei voar o miolo da minha alma,

Enquanto falava com as nuvens

E procurar no azul do céu

Alguma esperança 

que me desse resposta

À esta rota vida

Que deambula no aterro social

Desprovido de algum tratamento.



No silêncio que me abafou,

Voltei para o meu coração enjaulado

No farpado corporal.

Com ar de um velho abutre,

Vi dentro de mim um nevoeiro de tristeza

Com o redemoinho de vento que me arrasou

Do íntimo do mundo

Numa incessante erosão.



Quem me dera?



Senti-me, além de triste, podre e fedorento

Em todas as margens proporcionadas

Por uma vida rebarbadeira

Com alma espetada.

Senti pena do meu corpo esquelético desfalecido:

Dos olhos, das mão

Dos pés e dos sorrisos.



Meia volta,

Voltei para o meu corpo esteirado na cama

Com músicas adentro
E uma mente diluída

Dissecando o Cinismo Barato




Quero me apaixonar todos os dias
Por loucos, vadios e artistas falidos
Discutir filosofias inúteis numa mesa de bar

Atravessar noites em orgias libertárias
E dissecar todo o cinismo barato
Que só serve para intelectuais se gabar

Quero construir pontes entre o nada e o infinito
Nadar num mar de preguiça absurda
Até me sentir exausto de tanto gozar

Desconstruir arquétipos podres e ridículos
Construir canções soltas no ar
Tomando vinho que qualquer um pode pagar

Juro
Eu quero te amar
Em cada suspiro, em cada gesto

Amar sem precisar te amar

Juro
Eu quero te ter
No corpo e na alma

Querer sem precisar te querer

E todos os dias recomeçar sem culpa,
sem flagelos

Buscar novos caminhos
Únicos amores

Que façam de meu corpo
Um santuário de poesia

Pois só entrego minha vida
A quem me oferecer abrigo
Sem pedido de recompensa

9 de jan. de 2013

Lançar Fogo Na Terra


A minha conciência é negra
mais que o tom da minha pele,
e ainda que o inferno congele
será sempre negra, por que
não vim pra trazer a paz,
eu vim pra trazer a espada,
eu vim pra por fogo na terra,
por mim já estaria queimada
Eu sou uma ovelha negra
no meio de brancos chacais
e bodes que pisoteiam
o pasto que a terra nos traz
Vinde a mim os que estão cansados,
vinde a mim sobrecarregados,
unamo-nos contra a injustiça
e contra seus aliados
contra o príncipe deste mundo,
suas potestades e principados

Ainda Ontem Fui Violada


Ainda Ontem Fui Violada


O que esperas de mim

Que te fale de amores impossíveis
Que te diga que tudo esta bem
Pior ainda acreditas que tenho alguma receita de familia
Que sou mestre em bolos de aniversários
Sei lá quem sabe um produto afrodisíaco
Um creme pra diminuir sinais
Ahhh os sinais estes tenho muitos
Mas não foram por cansaço da tela da televisão
Não espere de mim amenidades, este dia faltei a aula
Ao lixo latas e mais latas de verniz
Sabe a real., estou mal,estou desintegrando
Ontem ainda ,fui abusada
Como nem mesmo  eu que suporto muito
Pude suportar
Estraçalharam as cores da  minha alma
Como um dia alguém poderá compor
Com seu opressor
Não, eu não
Quero que ela(eles,os ão) tenha os olhos dilacerados,pra nunca mais ver a sua frente ,um necessitado
Quero espremer até a ultima palavra de sua boca
Pequena
Dura ,apertada 
Igual sua figura
Quero ouvir ....
Perdão!!
E claro... não darei
Não sou de perdoar inimigos
Amigos dele não precisarão
Eu desenhei sua figura em minhas veias
Seu descaso quero manter aqui travado 
Como farpa de taquera na goela
Pra nunca esquecer quem sou
Mais que isso 
Porque sou
Depois ainda querem
Gentilezas,palavras subalternas
Gestos de aceitação
Aos diabos corja de víboras(pobres víboras tão mal comparadas).
Eu sou fogo de assar carne humana
Eu sou faca de escalpo
Sou cachorro louco
Entre ovelhas brancas
Aqueles das ruas posso 
Beijar os pés
Iguais a ti
Cuspir na cara
Porque??
Ainda ontem fui violada!!

                                                             

               Hanna                                                                        

7 de jan. de 2013

DOS DIAS EM QUE TE MATEI




Há dias, em que estou ácida,puro veneno

Há dias em que as perguntas teimam

Há dias em minha cabeça vira e revira

Há dias em que sangrar parece pouco

Há dias que bate uma tristeza

Sei...e não sei

Eu me fudi

Vão se fuder!!
E pergunto a mim,porque apenas os nossos devem morrer?

Apenas os nossos devem conhecer a dor,de serem jogados a fúria algoz

Como lixo

Lixo de gente

Quanto a eles gente de lixo

Há dias que sinto uma tristeza tão grande

Que minha cabeça doida me vira e revira

Mas nada a fazer.....

Mesmo assim continuo eu

A espera de um convite

A espera de um banquete

Onde a carne de meus inimigos

Servidas serão a milanesa

Eu desconfio,não,não quero mais veneno!!

Lanço aos corvos a imundicie

A eles a podridão,a hipócrita elite

Então eles se agitam ,azas em movimento

E ganham a imensidão,nem mesmos os corvos...

E suas carcaças gordas

Ali jogadas ,sem reverências

Porcos ratos humanos podres jogados ao chão!!
        Hanna                                                       

Tempo Pra Enterrar Nossos Mortos


Um dia, teremos tempo?
para chorar os nossos mortos...

Olharemos nossos filhos
sem sentir esta vergonha,
por tudo o que aconteceu.
Esqueceremos as crianças,
os corpos ensanguentados,
a morte de todos os dias,
os actos dos tresloucados.

Um dia teremos tempo
para chorar os nossos mortos...

Porque agora o tempo é outro,
um tempo curto demais
para tantas coisas fazer.
Temos masmorras para abrir,
crianças para salvar,
cidades a construir
tantos campos p'ra lavrar.
E temos de mostrar ao mundo,
que a besta mudou de nome,
mas continua a matar.

Um dia teremos tempo,
para chorar os nossos mortos...
Agora não,temos que lutar,para que não sejamos
os próximos a lhes encontrar!!


20 de dez. de 2012

NÃO QUERO PROMESSAS

"Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas
borram maquiagens e comprimem estômagos. Não, não e não. Eu não quero
dor. Eu não quero olhar no espelho e ver você escorrer, manchando minha
cara bonita."

QUEM NÃO OUSARIA????????

QUEM NÃO OUSARIA????????
COLHER TÃO LINDA ROSA?????

Obrigado pela visita!!!!